A criança que voltou a jogar
Na minha infância e adolescĂŞncia, eu sempre fui ligado em jogos. Tive Atari, MasterSystem, Super Nintendo e Playstation atĂ© finalmente “parar” com esse hobby natural de jovem anos 90 quando completei 18 anos. Eu confesso que senti um peso “errado” de ter entrado na vida adulta e jogar videogame parecia algo antigo e infantil. Me fizeram acreditar nisso. E eu nem culpo essas pessoas que me fizeram fixar essa ideia na memĂłria — talvez elas nem sabiam o que estavam falando. Passaram-se anos e anos, atĂ© que na pandemia de covid eu resolvi comprar um Xbox Series S. Precisava de algo novo, descobrir coisas novas, mergulhar em um universo diferente daquela realidade terrĂvel que nos era imputada naquele momento. Tinha tentado ler, mexer com programação, assistir a filmes, passar horas em apps de streaming. Mas queria ao diferente, algo que eu pudesse mergulhar e colaborar.
Daà veio o Xbox. Fui puxando da memória a época do Super Nintendo, dos jogos que eu alugava na locadora próxima da minha casa, dos dias e dias que passei jogando Mario, Ghouls n’ Ghosts, Kirby, Mickey, Contra, Top Gear. Memórias que ficam guardadas esperando serem acionadas por gatilhos emocionais sazonais.
Acontece que agora foi pra valer: parece que toquei aquela criança/adolescente que sempre quis terminar um jogo em paz, que gostaria muito de ficar horas jogando o mesmo jogo, absorvendo toda a narrativa, vivendo cada segundo dele, desbloqueando todas as conquistas possĂveis. Deixando a vida lá fora acontecer e vivendo a minha aqui dentro.
No Xbox conheci jogos que já viraram clássicos para mim: No Man’s Sky e Dead by Daylight. No caso do primeiro, foi meu fiel companheiro em muitos meses de pandemia. Explorando ao máximo planetas, mundos, galáxias, buracos negros. Infinitas paisagens e missões para desbloquear, apesar de algumas serem bem difĂceis. Como o jogo Ă© procedural, a quantidade de planetas para descobrir Ă© basicamente sem fim. A seguir uma breve descrição na página do Fandom do jogo:
O universo de No Man’s Sky é povoado por 18 quintilhões planetas processualmente gerados de vários tamanhos, cores e biomas. Cada planeta orbita uma estrela e gira em torno de seu próprio eixo, criando um ciclo de dia e noite, assim como a Terra. Ainda não foi confirmado, mas Sean Murray disse que sistemas binários estão provavelmente presentes no jogo.
Depois foi a vez de “descobrir” o meu jogo que virou meu passatempo fixo (atĂ© que resolvam destruĂrem-no por algum motivo mercadolĂłgico… espero que demore muito): Dead by Daylight. Como Ă© um jogo assimĂ©trico de partidas ao vivo, cada match Ă© algo diferente. A progressĂŁo do personagem incentiva vocĂŞ a jogar mais e jogar, adquirindo cada vez mais experiĂŞncia e destreza. Jogo há 4 anos.
Enfim, ainda hoje, fico de olho nas promoções da Steam e da Epic. Acredito que jogar é algo permanente na vida de quem é interessado nisso. É como ter um esporte de estimação. É como jogar vôlei todos os dias com os amigos no campo perto de casa: quando você não vai, aquilo faz falta. É um estilo de vida e de ser que jamais gostaria de abandonar.
Faz bem ao (meu) cérebro, ocupa a (minha) mente, (me) faz superar desafios. É caro? Sim. A gente se contorce entre pagar as contas e os jogos que nos fazem bem.